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Falha nossa
Prazer em conhecê-los.
Um pouco aí em baixo, você tem reportagens, fotos, créditos dos lançamentos dos livros da Par&Cia Limitada em São Paulo, Rio de Janeiro, interior de São Paulo, tudo bonitinho. Faltou apenas uma coisa. Isso mesmo, os livros. Leitores começaram a nos escrever querendo conhecer mais sobre os livros que são objetos destes saraus e lançamentos. Então, corrigindo nossa falha, vamos colar a partir daqui, uma palinha de cada um dos três lançamentos, seguido do texto das orelhas dos respectivos. Boa viagem.

Não é japonês, mas sabe reduzir tudo ao máximo.
O que é o máximo na poesia de Elcio Fonseca são os mínimos. Não o minimalismo unicórdio, uníssono, mas é essa capacidade de dizer o máximo com economia, sem fazer o mínimo esforço.
Tudo ali parece fácil. Ele sabe como ninguém esconder todo o suor da lida com as palavras atrás de versos que têm um frescor e uma dicção tão fácil que parecem que saíram naturalmente, de uma única vez, da sua boca.
É um fingidor. Só eu e poucas outras pessoas mais próximas sabemos o quanto dói cada sílaba feliz de seus poemas. Quantas vezes foram reescritas, quantas palavras foram recusadas, quantas ficaram de castigo, quantas foram inventadas, quantas tiveram seus sentidos subvertidos, quantas foram ditas em voz alta até que o som, o ritmo, as imagens, as idéias, as metáforas, as rimas internas e externas pudessem compor estas pequenas sinfonias.
Dos 21 anos cobertos por esta seleção de poemas eu tive o prazer de estar presente em 20. Conheci Elcio em 1981, fazendo poesia num boteco na Rua Augusta. E é a poesia que sustenta até hoje esta amizade.
Vi a maioria destes poemas sendo gestada. Os vi nascer, peguei vários deles no colo, vi crescerem, amadurecerem e agora serem publicados. E o Elcio fez o mesmo com os meus. Somos compadres nesse negócio.
Posso assegurar uma coisa, e só ele pode negar se achar que é exagero: Elcio Fonseca vive de poesia. Se houvesse como proibi-lo de fazer poesia, estariam lhe roubando todo o sentido. Sorte nossa que não há como fazer isso. A máquina da poesia em Elcio Fonseca está inexoravelmente acorrentada à sua alma. Nem ele tem a chave. Está condenado a nos alegrar com sua poesia para sempre.
Escrito por Elcio Fonseca às 00h36
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Coelho nos trilhos

As palavras sofrem na mão do poeta.
Um menino olha o mundo a partir dos trilhos da parada de número 88, lá pelos lados do Piqueri. A primeira lição: as linhas sempre paralelas, acabam por definir o infinito, como parece insinuar o duplo oito da estação de onde partiram os sonhos de Abel Coelho.
O trem avança. E São Paulo vai se esticando sob os pés do poeta, que desenha seus próprios trilhos, limando limites sob o sol a pino. Percorre, uma a uma, as estações que o levariam à Luz. Mas para Abel a chegada não encerra a busca. Inquieto, está sempre pronto para uma nova viagem, que o levará de volta ao signo do infinito. Essa é a poesia do menino da Parada 88. Para nossa sorte um percurso que não tem ponto final. Personagem bíblico ao contrário, Abel não lamenta o paraíso perdido. A lesteoeste do seu Éden urbano lavra com sua pá a terra desolada do lugar comum e do efeito fácil desses dias de magras colheitas.
Poeta lab/or/atório, torce as palavras, funde planos, promove uma fissão no núcleo dos sentidos para nos presentear com o puro deleite de sua pena. Ler seus poemas é deitar em cama macia, convidativa, sedutora como as curvas de Oscar Niemayer, os brancos de Octavio Paz, as pausas de Mallarmé.
Íntimo da invenção, da lida com o latim, da leitura diária dos signos em rotação, presença certa na província dos provençais, Abel nos fala ainda com o sotaque da tradicção, que nos leva a todos os modernos - bem entendido, os que ficaram.
A partir das pautas de aço o menino aprende a ler as coisas. O poeta maduro ainda mantém o ouvido atento, escutando o movimento da terra nos trilhos que indicam o sem-fim do mundo. Abel aprendeu desde cedo a lançar o olhar além. E é por aí que consegue nos levar adiante com seu fino estilo.
As palavras sofrem na mão do Abel. Para alívio nosso, a quem sobra apenas o prazer de ler seus versos mais que perfeitos.
Elcio Fonseca.
Poeta e editor
Escrito por Elcio Fonseca às 00h34
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Aperitivo de Bauru

Uma cesta de flores.
Você tem nas mãos um livro de poesia que não é apenas mais um. Em Renata Machado os lugares ganham novas dimensões, os cheiros novos sentidos e a memória novos usos.
Renata revisita sua origem e nos traz os aromas, os gostos, as salas amplas, cortinas floridas, varandas e vertentes que não têm o cheiro do passado, mas a marca da distância tratada com o talento de quem sabe que a vida é mais do que apenas o desafio de vivê-la; é memória e registro. E como Renata sabe ferir a página com o fino estilo de seus delicados versos.
Aqui você não vai encontrar facilidades. Esteja preparado para uma viagem da qual não se volta igual. Após a leitura das páginas deste livro você vai perceber que é possível uma poesia de tom marcadamente biográfico - no sentido de ser escrita com a própria matéria da vida - mas sem a nota confessional de tanto verso torto que se encontra por aí.
Noroeste é o norte de Renata. Ela parte da gênese encravada nas terras brancas de Bauru para ganhar o mundo com seu olhar sensível e - o melhor - marcado por uma profunda paixão por tudo o que é demasiadamente humano. Mais do que um livro de poesia, este é um mapa dos limites da emoção: até onde pode nos levar a insana aventura de amar, a poesia de Renata nos serve de guia e parâmetro.
De Bauru para o mundo, passando pelo interior da alma, você vai desfrutar nos poemas de Renata Machado o que o próprio nome de sua cidade do Noroeste paulista traz numa de suas possíveis origens: “cesta de flores”. E aqui a metáfora é inevitável: espinhos e dificuldades vencidas, resta o puro perfume da poesia que nos inquieta e encanta a todo momento. Lembrando Chico Buarque: cheire Renata. E aproveite os complexos buquês de sua mágica e surpreendente cesta de versos.
Elcio Fonseca.
Poeta e editor
Escrito por Elcio Fonseca às 00h32
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