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Lance de Dados no Corredor Literário na Paulista
Um lance de dados
Poemexperienciomenagem
Com o poema Un coup de dés (Um lance de Dados), o poeta Mallarmé, inaugurava, em 1897, uma era nova na poesia e na literatura ocidentais, abrindo caminho para cristalizar as discussões formais do futurismo, modernismo e outros movimentos de vanguarda. O poema trabalhava com experiências tipográficas funcionais, com destaque para o uso dos “brancos” na página, e no eixo epistemológico, sentenciava: um lance de dados jamais abolirá o acaso (un coup de dés jamais n’abolira le hasard).
À sombra do casarão que traz o nome de uma flor (uma das faces do dado árabe, que simboliza o acaso ou a sorte - hazard) e que abriga a biblioteca de Haroldo de Campos, que em seu artigo “Lance de olhos sobre Um Lance de Dados”, nos revelava os intrincados caminhos do poema-invenção de Mallarmé, iremos realizar esta experiência-homenagem tripla: a Haroldo, Mallarmé e Oswald de Andrade.
A experiência pretende prestar a homenagem e, ao mesmo tempo, celebrar a nossa língua – essa contribuição milionária de todos os erros, no dizer oswaldiano – através de um jogo onde a estrutura encontra o lúdico, num resultado sempre imprevisível. Apesar dos três dados que iremos jogar apresentarem palavras pré-estabelecidas, o lance sempre evocará o acaso. Mesmo conhecendo já as probabilidades, o acaso é que ditará as formulações e seqüências de modo incontrolável.
A partir de 18 palavras apenas, temos milhares de combinações possíveis para compor versos de três palavras. A quantidade de versos e o tamanho final podem ser limitados pelo tempo ou outro critério, mas a seqüência deles não. Criados por meio dos lances dos visitantes, os versos formarão o corpo final do poema. Uma obra do acaso com a colaboração da cidade de São Paulo, que poderá ser vista depois aqui no blog.
Escrito por Elcio Fonseca às 11h11
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